7.11.2007



"Estou na água, boiando. Do meu lado um garotinho de no máximo oito anos num longboard gigantesco passa rasgando, impulsionado por um empurrão de seu pai. Assim que ele se sente carregado pela onda, se levanta e fica de pé na prancha. Ao tentar se equilibrar, ele murmura, "Nossa! Nossa!!! Uau!!!" e ri, no auge da adrenalina por estar surfando. Escuto um amigo do pai orgulhoso comentar:
"Você acabou de acabar com qualquer possibilidade dele um dia se tornar presidente".


Trecho do livro Caught Inside: A Surfer's Year on the California Coast, enviado ao Chasing pelo amigo Gustavo Soares.

7.10.2007

The Thread



Não é toda hora que se encontra um fotógrafo de surf com um olhar original. E não é sempre que um estrante tem a chance de ser lancado aos olhos do mundo por ninguém menos que Jeff Divine, uma lenda viva por trás das lentes que registraram o esporte nos ultimos 30 anos. Estou falando de Patrick Trefz, californiano que acaba de lançar na América do Norte, seu primeiro filme: The Thread.
O casting reunido por Trefz é de primeira: Joel Turdor surfando em Biarritz, Taylor Knox shapeando uma Bonzer, Joe Curren em Sandpit e Tom Carrol em Teahupoo. Todos sob a premissa de Trefz em mostrar os estilos particulares de cada um deles sobre as ondas ou calçadas. Isso mesmo, tem skate também. Tem até uma sessão com Duncan Campbell, pai da triquilha. Ao comentar seu trabalho, ele dá uma pista do estado de espírito de suas imagens:
"For as mainstream as surfing has become, it's still esoteric. The whole concept of surfing is pretty out of the ordinary in terms of human experience."

7.09.2007

Ouvindo (Clique):

Drive-Thru

Saí da agência correndo, deixando para trás alguns assuntos abertos. 21h30 da noite, preciso viver e o trabalho pode esperar. Pego o carro, pego a prancha, pego dois amigos que já me esperavam ansiosos e pegamos a estrada, sentido litoral. Na quarta-feira, São Paulo está em pleno vapor, longe, ainda, da calma que o final-de-semana traz e das filas de carros que, numa sexta-feira à noite qualquer, seguiriam na mesma direção que estávamos indo. Mas ainda é quarta, tenho que trabalhar amanhã e dirigir para praia numa situação dessas me faz sentir meio criminoso, indomável e tristemente desesperado.
A noite está limpa e na mesma estrada, se acumulando no pedágio, para depois se dispersarem pelas saídas da rodovia, milhares de automóveis com trabalhadores voltando para casa, provavelmente cansados, pensando no desconforto de morar longe e na recompensa de dormirem e acordarem, diariamente, próximos a uma praia, uma floresta ou numa rua mais segura. Desistimos de tentar ouvir no rádio o jogo da selecão e focamos nossos assuntos nas previsões metereológicas para o dia seguinte e na razão de os três estarmos ali, ansiosos, ainda com as roupas amaçadas do trabalho: o surf.
Todo final de semana é a mesma coisa. Acordar cedo, dirigir pela estrada, surfar até ficarmos esgotados, estrada novamente, sentido contrário, de volta para a cidade, aproveitando a vista e o sentimento de vitória contra a estagnação, o conformismo e a morte. Muitas vezes desço sozinho, ouvindo um som que acabei de conhecer ou uma banda que já me deixava saudade. Quando chego no meu destino, caio no mar e agradeço por estar vivo e boiando no oceano. Mesmo dividindo o line up com desconhecidos, surfar sozinho te leva a um momento de instropecção e paz, e, na volta pela serra, cercado por mata atlântica, dirigir nem é tão penoso quanto poderia parecer. Eu desceria para o litoral sozinho, quantas vezes fosse necessário, para poder surfar. Não me dói. A razão para sempre fazer isso com amigos é outra.
Nessa quarta-feira, pegamos a estrada, fomos parados pelo guarda-rodoviário, jantamos num drive-thru do Mc'donalds, dormimos em beliches que nos fizeram demorar a pegar no sono, acordamos ainda escuro, surfamos sem tomar café, saímos correndo do mar, trocamos de roupa na calçada da praia, sem banho, entramos no carro e, novamente pela estrada, cortamos caminhões, atravessamos o pedágio, costuramos pelas ruas da entrada da cidade um caminho que fugisse do trânsito e aceleramos em direção a alguma reunião que nos esperava na volta. Os três chegaram às suas cadeiras antes que a mesmice se desse conta. Nos achando especiais por tanta determinação e por acreditarmos, piamente, que a vida é um pouco mais que trabalhar e um pouco menos que qualquer outro plano ambicioso que não seja surfar. É nessa hora que os amigos fazem a diferença. É neles que vejo, espelhada, a minha satisfação.

7.08.2007

Clap, clap, clip

Essé é o clipe para uma das músicas do Arcade Fire.
Foi todo feito com imagens do filme Once Upon a time in The West,
de Sergio Leone, cineasta italiano.


7.07.2007